A história da aquisição da The Kooples: descubra quem detém a marca hoje

The Kooples, marca francesa de prêt-à-porter fundada em 2008 pelos três irmãos Elicha, mudou de mãos no início de 2025 em circunstâncias muito distantes de uma transação clássica. O fundo Verdoso detém hoje a maioria do capital da marca, após uma operação relacionada às graves dificuldades financeiras que a marca enfrentava sob a égide de seu antigo proprietário, o grupo suíço Maus Frères.

The Kooples e Maus Frères: uma década de encontros perdidos

Antes de falar sobre a aquisição em si, a questão que merece ser levantada diz respeito ao período que a precedeu. Como uma marca com um posicionamento claro (o guarda-roupa rock misto, a meio caminho entre o premium e o luxo acessível) pôde se encontrar em um impasse financeiro tão profundo?

Os irmãos Alexandre, Laurent e Raphaël Elicha, filhos dos fundadores do Comptoir des Cotonniers, lançaram The Kooples em Paris com um conceito diferenciador: campanhas que apresentavam casais reais, uma imagem forte, uma rede de lojas próprias que se expandiu rapidamente na França e no exterior. O crescimento foi sustentado durante vários anos.

A entrada de Maus Frères no capital deveria acelerar o desenvolvimento. O grupo suíço, conhecido por suas participações na distribuição (Lacoste, em particular), dispunha dos recursos financeiros necessários. As opiniões divergem sobre o que realmente bloqueou: estratégia de preços muito agressiva, rede superdimensionada ou dificuldade em renovar a imagem diante de uma concorrência crescente.

Para entender melhor a origem da marca The Kooples no Wiki FR, é preciso voltar a essa dinâmica familiar que moldou o DNA da marca.

O resultado, por sua vez, é factual: a marca acumulou perdas significativas, a ponto de necessitar de um processo de reestruturação.

Mulher dirigente em blazer refinado em um escritório parisiense examinando documentos de aquisição de empresa de moda

Aquisição de The Kooples por Verdoso: um processo amigável, não um negócio clássico

O termo “aquisição” utilizado na imprensa geral mascara a realidade jurídica da operação. Segundo Le Monde (janeiro de 2025), a recuperação por Verdoso se insere em um dispositivo de tratamento amigável das dificuldades financeiras, envolvendo uma reestruturação da dívida e uma negociação com os credores.

Essa distinção é importante. Em uma venda clássica, o comprador negocia um preço com o vendedor e assume a empresa como está. Aqui, o quadro é diferente:

  • A dívida existente teve que ser reestruturada antes que a transferência de controle pudesse ocorrer, o que significa que os credores aceitaram condições degradadas em relação às suas dívidas iniciais.
  • Maus Frères não vendeu sua participação em condições de mercado normais, mas em um contexto onde a alternativa era potencialmente um processo coletivo mais severo.
  • O fundo Verdoso assumiu a maioria do capital em um esquema onde o objetivo principal é a recuperação operacional, não a valorização imediata.

Esse tipo de operação é comum no setor da moda e do varejo, mas raramente detalhado em artigos que se contentam em mencionar uma “mudança de proprietário”.

Verdoso: um fundo especializado na recuperação de marcas de moda

A escolha de Verdoso como comprador não é acidental. Esse fundo de private equity é especializado na recuperação de marcas fragilizadas no vestuário e na distribuição. Seu modelo baseia-se em uma lógica de recuperação: reestruturação operacional, otimização da rede de lojas, reposicionamento comercial.

Os dados disponíveis não permitem concluir sobre todo o histórico de Verdoso nesse campo. No entanto, o perfil do comprador ilumina a estratégia provável para The Kooples nos próximos meses: redução do número de pontos de venda não rentáveis, foco nos mercados mais promissores e trabalho no posicionamento de preços.

O que isso muda para a identidade da marca

Um fundo de recuperação não gerencia uma marca de moda como faria um grupo familiar ou um conglomerado de luxo. A prioridade é o retorno à rentabilidade, não a construção de imagem a longo prazo. As decisões são guiadas por indicadores operacionais: margem por loja, rotação de estoques, custo de aquisição de clientes online.

Para os clientes de The Kooples, isso pode se traduzir em ajustes visíveis: coleções mais enxutas, menos referências, uma política promocional revista. A marca também pode acelerar no e-commerce, um canal onde os custos fixos são mais controláveis do que em uma rede de lojas próprias em Paris ou Londres.

Dois homens em terno se apertam as mãos em um showroom de marca de moda durante um acordo de aquisição de empresa

The Kooples após a aquisição: as questões ainda em aberto

Várias incógnitas persistem sobre o futuro da marca sob a direção de Verdoso.

A primeira diz respeito à rede internacional. The Kooples tinha lojas no Reino Unido, nos Estados Unidos e em vários países europeus. A manutenção dessa presença internacional dependerá diretamente do desempenho de cada mercado. Um fundo de recuperação geralmente não hesita em fechar áreas geográficas inteiras se os números não acompanharem.

A segunda diz respeito à direção operacional. A marca passou por várias mudanças de CEO nos últimos anos (Marie Schott, Anne-Laure Couplet), o que traduz uma instabilidade gerencial pouco compatível com um reposicionamento coerente. A estabilidade da equipe de liderança será um indicador chave da credibilidade do plano de recuperação.

A terceira questão diz respeito ao segmento em si. O premium acessível, onde se posicionam marcas como The Kooples, Sandro ou Maje, atravessa um período de tensão. Os consumidores estão cada vez mais decidindo entre o verdadeiro luxo e a fast fashion, deixando a média gama em uma zona desconfortável. Verdoso terá que decidir sobre o posicionamento de preços de The Kooples: subir para o premium forte ou assumir uma ancoragem mais acessível.

A aquisição de The Kooples por Verdoso ilustra um fenômeno que afeta várias marcas francesas de moda nascidas nos anos 2000. O crescimento rápido, impulsionado por um conceito forte e uma rede de lojas em expansão, acaba esbarrando na realidade dos custos fixos e na evolução dos hábitos de compra. O que vem a seguir dependerá menos da imagem da marca do que da rigorosidade com que o novo proprietário executará seu plano operacional.

A história da aquisição da The Kooples: descubra quem detém a marca hoje